Ai, ai, ai! Nada como um dia tranqüilo em família.
Pára tudo! O que é aquilo ali?!
Enquanto fazia minhas indagações, um inseto asqueroso passeava livremente. Era uma barata. Salafrária!
Calma, Cristiene! Aja racionalmente! Você não tem medo de barata mesmo!
Então, após essa reflexão e tomada de toda a paz de espírito eu disse, em tom suave:
-Sérgio!!! Sérgio!!! Uma barata entrou!!! Mataaaa!!!
E mostrando solidariedade ao meu irmão, que iria caçar a barata, subi no móvel mais próximo. Não iria atrapalhar tão digna empreitada.
-Ah! Cristiene, eu não acho legal matar o bicho, não. Vou pegar o gato!
Pura transferência de responsabilidade. Afinal de contas, ninguém quer sujar as mãos, ou melhor, os chinelos.
-Tá! Vai lá! Vai lá! Anda!!!!!
Momentos depois ele volta. (eu continuava em cima do móvel)
- Vai, Leônidas. Mata a barata!
Eu também encorajava o bravo gatinho:
- Pega ela! Pega ela!
Ele apenas deita no chão e espreguiça gostosamente. Aff!
É, parece que o gato não quer papo hoje- pensei.
Em uma expressão de quem entende a pressão pela qual o pobre Leônidas passava eu disse:
-A gente tinha era que pegar o Mulambinho, gato da vizinha!
Cansada de tanto esperar por uma resolução do caso, eu, ainda tranqüila, um mar de serenidade, declaro:
-Pô, Sérgio! Você vai ter que matar essa barata! Já pensou se ela der cria aqui?! Argh!
-É, ela tá meio estranha mesmo. Tá! Vou pegar!
-Isso aí! (ufaaa!)
De repente, uma chinelada e a barata cai tonta. Ainda não era o suficiente.
É desferido o golpe de misericórdia no inseto moribundo, um pancadão que produziu um barulho ensurdecedor.
-Sérgio, você precisava mesmo bater assim tão forte?
- É que eu quero que seja de uma vez só. Não vou deixar ela sofrendo.
- Ah! Tá...
No entanto, ditas essas palavras, o barulho recomeça. Olho e vejo meu irmão dando chineladas na barata. A não ser que aquela fosse uma espécie de Fênix em pele de inseto, ela deveria ter morrido com o primeiro golpe.
- Sérgio, você não disse que ia ser de uma vez só, sem agonia? Por que você ainda está batendo?
E como se fosse a coisa mais simples do mundo, ele vira e responde:
-É que eu não tenho certeza!
E eu:
- ¬¬'