Outro dia, voltando da faculdade, tive uma experiência inusitada.
Não foi nada absurdo, mas foi algo que mexeu comigo.
Sabe quando você, de repente, fica triste sem motivo algum? Sabe quando está fazendo o maior sol lá fora, mas dentro de você é noite ainda? Ou então, está fazendo tempo bom na vida, mas dentro de você é temporal? Pois bem!
Sensações como essa me acompanham desde a infância porque sempre fui muito exigente comigo mesma. Não que isso fosse motivado por alguma cobrança externa, muito pelo contrário. Eu acho que a falta de cobrança alheia é que fez com que eu me tornasse alguém tão exigente. Vai entender! rs
Ah, sim. Voltando ao assunto...
O diferencial desse dia foi eu ter sentido exatamente o oposto do que sinto quando me cobro demais. Dessa vez, fui invadida por uma sensação agradabilíssima! Eu me senti livre e ao me questionar sobre o motivo de tamanha leveza, descobri que a resposta para o tal enigma era algo bem mais simples do que 2+2. Na verdade, eu me sentia daquela forma pelo simples fato de não haver motivo algum para sentir, ou seja, eu não estava preocupada nem em ser alegre e muito menos em ser triste.
Por alguns minutos, eu havia me desligado das minhas "nóias". Eu tinha esquecido os trabalhos e provas que faria no dia seguinte. Não me importei com o engarrafamento que faria com que eu me atrasasse para o jantar. Eu relaxei. (É nesses momentos que eu começo a filosofar ou, pelo menos, tento. rs)
Quando percebi, estava comparando meu momento com o que li a respeito durante as aulas de Teoria da Comunicação II. Nossa, eu viajei! rsrs
Fiquei olhando tudo ao meu redor como se fosse a primeira vez. Não sei se por causa da iluminação, mas lugares por onde eu sempre passo nesse dia possuíam um colorido diferente. Não eram as matizes de sempre. Não mesmo. Era algo especial. Talvez uma recompensa por toda a trabalheira que eu estava tendo nos últimos dias, sei lá. rs
Bom, foi aí que eu tive um insight. No ônibus mesmo, em meio aos solavancos, peguei um pedaço de papel parcialmente rabiscado e escrevi uma frase que me definiu perfeitamente naquele momento. A frase é a seguinte: como a criança e o convalescente, esquadrinho o horizonte.
Perfeito! Quem já leu Edgar Allan Poe sabe do que eu estou falando. Era exatamente sob essa ótica que eu via o mundo.
Naqueles míseros minutos pude perceber que estava crescendo, amadurecendo. E só notei naquele instante porque, apesar da idade, ainda me sinto menina. Sinto não, eu sou! rs Ainda possuo medos de criança como o de chuva, por exemplo. Entretanto, notei que algo em mim havia mudado sem que me desse conta. Sem que eu atentasse para o fato de que já podia caminhar com as minhas próprias pernas, se quisesse. Eu já podia me considerar responsável por mim e pelos que eu amo.
Pois é, parece loucura o que acabei de escrever e talvez até seja, mas quem já vivenciou algo parecido sabe a que me refiro.
"O q tinha esse momento de especial?" você pode estar se perguntando. Eu respondo: nada, era apenas a vida se expressando da maneira mais simplória, mas nem por isso, sem importância.
Estamos vivos, é isso o que importa! ;)
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